Quero ter uma amiga
E uma inimiga.
Amiga pra falar de mim,
Inimiga pra me contar.
Quero correr
Nas águas selvagens
De correntes fortes
Atravessando toda
A minha estória.
Quero dançar
Com o vento
Atravessar o deserto
Em redemoinho infernal
Até chegar ao nada.
Quero acordar, abrir as janelas
E ver a neblina apagando o mundo
E acreditar que Deus existe.
Quero ouvir
O trinado dos pássaros
E fingir que sou
A maestrina desse
Coro maravilhoso.
Quero sonhar que
A velhice é um pesadelo
E que ainda tenho
A idade da juventude.
Quero deitar numa praia
Ouvindo os gemidos do maravilhoso
Como se quisesse devolver
Os mortos que ele levou.
Quero cantar com o poeta Virgílio
Ao som de sua rústica flauta
Os feitos horrendos de Marte
Destruindo a bela Tróia.
Quero ter
Direito de viver
Sem me encontrar
Com a solidão.
Quero mergulhar
No silêncio da noite
Envolvida na atmosfera
E sonhar que não existo.
Quero me guiar pela
Bússola das galáxias
E me perder
Na rota do infinito
Para além de tudo.
Quero atravessar
A fronteira do mundo
E bater à porta
Dos imortais.
Quero chegar ao céu
Numa explosão
De aplausos:
….......... Eu mereço!
Quero voar
Em direção ao olimpo
E, num assombroso desafio,
Encarar os deuses mitológicos.
Quero, segurando
Tresloucadamente,
As crinas do Pégaso
Atravessar o universo.
Quero morrer rindo
Dos que ficam...
Porque a vida
É pura ilusão.
Xamã Y.V.








