domingo, 15 de maio de 2011

Samhain

O dia passou, mas eu não me esqueci (completamente) de que deveria publicar algo aqui.
Samhain é o “Ano Novo” das Bruxas. É a festa na qual honramos nossos ancestrais. A noite em que o véu que separa o mundo material do mundo espiritual torna-se mais fino, tênue, e o contato com que já partiu é mais fácil.
Samhain ocorre no pico do Outono. O frio cresce e a morte vaga pela Terra. Essa é a última colheita, o tempo em que os antigos povos sacrificavam seus gados e preservavam sua carne para o Inverno. Toda a natureza armazena, ursos hibernam.
É a noite em que o Velho Deus morre e a Deusa Anciã lamenta sua morte, mas a Deusa também entre em recolhimento pois sabe que em seu ventre a Alma do Deus é uma centelha de Luz que renascerá em Yule.
É um festival do fogo. Fogueiras são acesas para iluminar o caminho que une os mundos, como o raio que anima a Ponte do Arco Íris.
É tempo de lembrarmos com amor aqueles que partiram para o outro lado, por isso é chamado de a Festa Ancestral. Toda a família, ou grupo, se reúne para reverenciar os que já partiram. É muito comum nesse Sabbat se realizar uma ceia em silêncio, conectando-se com aqueles que já cruzaram os portais dos mundos, o famoso “um minuto de silêncio”. É tradicional também deixar um lugar à mesa para os ancestrais e lhes servir pratos como se eles estivessem presentes à ceia.
Samhain é momento de reflexão, de renovar votos, de olhamos para o ano mágico que passou e estabelecemos as metas para nossa vida no ano que entra.

Sabem a famosa lanterna de abóbora do Halloween?? Típica dessa época, acreditava-se, antigamente, que a sombra da máscara assustava os espíritos maus que também haviam atravessado a ponte entre os mundos. Ainda hoje a tradição das lanternas continuam, mas nem todos sabem seu significado ou sua origem.
Devemos também usar nossa vassoura de bruxa para varrermos e banirmos o passado, abrindo espaço para que o novo entre em nossa vida.

Os elementos ritualísticos são as cores preto e laranja – as ervas mirra, alecrim, musgo e louro – as pedras obsidiana, granada, hematita. Máscara de abóbora, cidra.

Um poema deixo a vocês:

A Última Noite

A Deusa Branca,
Sob a árvore das maçãs,
O último beijo dá ao seu amado
Que sobe na barca das águas pagãs.

Com suas leves mãos toca o seu ventre.
Nosso Cornudo, como filho da promessa.
A noite já estrelada,
E o sol assim poente.

A barca desliza por entre as brumas
A Deusa não chora, pois o que morrer,
E assim é o Mistério,
Terá de renascer.

Oculto Cornudo que olha para trás,
um beijo que joga à sua amada.
E a Anciã, nos lábios um sorriso,
Fecha os olhos, abençoada.

A brisa que os separa,
ou as fogueiras dos verdes campos:
Deus e Deusa,
Sol e Lua,
Homem e Mulher,
Abençoados na ternura.
(Diannus do Nemi)


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