Quebrei um espelho em mil pedaços. Cada pedaço guarda uma parte de mim. Gosto de sair em busca dos caquinhos pra colar os pedaços de mim com amor próprio. Uma cola poderosa.
Essa é uma verdade sobre mim, posso ser inteira e ser em pedaços, posso ser única e posso ser mil. Você pediu toda a minha verdade, não foi? Um momento de verdade entre tantas mentiras, num mundo em que nada dura para sempre.
Outra verdade sobre mim? Gosto de abraços apertados, daqueles de partir ao meio, só pro beijo poder nos colar depois. Gosto de sentir alegria com coisas bobas de fazer o coração pular no peito, como uma criança sorrindo pra lua.
Gosto de inventar mundos meus, mundos cor-de-rosa. Achar graça em coisas sem sentido e ver beleza onde não há, ver o sol brilhando por trás da nuvem carregada de tempestade.
O simples me faz rir, quem é simples me encanta. Ah como o complicado me aborrece!
O mundo é grande, mas pra mim ele parece tão pequeno... e há tantas coisas que eu não entendo, mas não me preocupo em encontrar explicações... na verdade preocupo-me mais em encontrar perguntas que descobrir respostas.
Preocupo-me com o que faz meu coração bater, as pernas amolecerem, os olhos brilharem e o sorriso correr solto.
Gosto de imaginar que sou eterna, imortal. Mas desistiria de tudo isso se houvesse uma única chance de amar eternamente por um momento.
Para o mundo cinza, uso giz de cera. Carrego-os na bolsa como aprendi a fazer recentemente num livro, para me sentir criança com livros para colorir.
Para um dia de solidão, uso meus livros e os filmes.
Para um dia de medo, tenho coragem. Tenho? Ah coragem eu tenho, de monte, o problema é que ela foge de mim, e normalmente procuro e não a encontro. O medo por outro lado é quem costuma me encontrar, mesmo quando fujo dele. Armazenei alguns que me encontraram ao longo da vida.
Medo de eletricidade, de abelha, medo da solidão, medo de mim...
Tenho uma bagunça cá dentro, às vezes tento organizar tudo em ordem alfabética, mas bate um vendaval e bagunça tudo de novo.
Saio em busca de mim sem endereço ou destino, sem saber se vou chegar. Mas não paro. Posso perder o rumo, posso dar com a cara na porta. Mas eu vou! Sei que vou. E quando me pergunto o que eu procuro, me respondo: “amor, um filho, a mim mesma”.
Sou mulher. Menina com contas a pagar.
Trabalho como gente grande. Até brinco de ser séria...
Quero ter forças pra ser frágil de novo. Entregar-me a alguém e sentir que alguém me completa, que é um pedaço de mim, daquele espelho que eu era. Não quero que o mundo me veja, porque não me entenderiam, mas desejo que você me sinta. Não o espelho que eu fui um dia, mas o eu de hoje. E eu sei que você poderia.
Não preciso que me entendam. Quero que me amem. Quer me amar? Dê-me flores, um chocolate, dadinhos, sorrisos, carinhos, um poema pra sonhar, músicas pra encantar... Posso te amar? Prometo-te flores, sorrisos, carinhos, poesias, músicas...
Eu só quero que você saiba quem eu sou... e pra isso... é preciso mais que uma escapada pro quarto... mais que três horas numa cama... é preciso mais minutos de conversa ao telefone... mais que 4 mensagens de celular... é preciso convivência... cumplicidade... confiança... essas coisas que se conquistam com o tempo... essas coisas que fazem um minuto valer uma eternidade... eternidade que eu dispensaria se pudesse tê-lo por um momento... um momento de verdade...

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