20 de março de 2011. Equinócio de Outono. Equilíbrio entre dia e noite. Hoje, nós, pagãos, comemoramos Mabon, tempo de colheita dos frutos e preparação para o inverno. O vento sul torna-se mais forte, o frio começa a nos manter mais próximos ao fogo. Celebraremos a entrada em nossas cavernas inconscientes onde no inverno hibernamos nosso ego e vamos fundo em nosso eu interior. As noites a partir de hoje se tornam maiores.
Mabon recebeu seu nome do deus gaulês Mabon, um menino valente que num dia de brincadeira entre árvores e animais se perde no além mágico, mergulhando no útero da terra, um lugar de encantamento. Ele é procurado pelos quatro cantos e é encontrado e o jovem garoto perdido tornou-se um guerreiro de verdade, renascendo como o filho da luz, uma nova semente.
Mas a mais famosa das celebrações antigas era a dos Mistérios dos Eleusis, centrado no mito de Deméter e Perséfone, a interligação da morte com a vida. A alternância das estações de luz e de escuridão.
Agora é o tempo de equilíbrio, quando o dia e a noite se encaram como iguais. Todavia, nesta estação, a noite é crescente e o dia é minguante, pois nada jamais permanece sem mudanças nas marés da Terra e do Céu. Saibam e se lembrem que o que quer que seja que nasce tem de se por, e que o que quer que seja que se põe tem também que nascer. (Janet e Stewart Farrar em Oito Sabás para Bruxas).
É chegada a hora de pensar em nossas atitudes, o que plantamos e o que colhemos. A vida é cíclica. Tudo vai e tudo volta. É um ciclo, como morte e vida. Por isso, é também um ritual onde honramos nossos antepassados e pedimos a eles que nos aconselhem, em forma de sonhos ou intuição, para que no tempo da escuridão nos lembremos sempre que a luz retorna.
Mabon é tempo de interiorizar-se e entender que tudo na vida tem seu começo, seu meio e seu fim que é também uma forma de recomeço... sentemo-nos diante do fogo e sejamos inundados pelo calor de nossos pensamentos e sentimentos, que em turbilhão de sensações nos colocam diante do ciclo. O que fomos, o que somos e o que seremos sempre depende do dia de hoje, do agora. É preciso sentar diante do fogo e queimar o que não lhe serve mais, sentimentos, emoções, tristezas, saudades, abrindo caminho para novas sementes que se recolhem na úmida e fértil terra de nossas mentes para renascer quando for chegada a hora.
Os elementos ritualísticos principais desse ritual ao outono são as cores amarelo, marrom e verde – as ervas trigo, benjoim, mirra, sálvia e madressilva – as pedras jaspe e cornalina e ágata amarela.
Deixo uma poesia de Olavo Bilac, O outono:
Sou a sazão mais rica:
A árvore frutifica
Durante esta estação;
No tempo da colheita,
A gente satisfeita
Saúda a Criação.
O premio da riqueza
Ao bom trabalhador,
E enche, contente e ufana,
De júbilo a choupana
De cada lavrador.
Vede como do galho,
Molhado inda de orvalho,
Maduro o fruto cai…
Interrompendo as danças,
Aproveitai, crianças!
Os frutos apanhai!


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