sábado, 28 de maio de 2011

Devaneios


Quero ter uma amiga
E uma inimiga.
Amiga pra falar de mim,
Inimiga pra me contar.

Quero correr
Nas águas selvagens
De correntes fortes
Atravessando toda
A minha estória.


Quero dançar
Com o vento
Atravessar o deserto
Em redemoinho infernal
Até chegar ao nada.

Quero acordar, abrir as janelas
E ver a neblina apagando o mundo
E acreditar que Deus existe.

Quero ouvir
O trinado dos pássaros
E fingir que sou
A maestrina desse
Coro maravilhoso.

Quero sonhar que
A velhice é um pesadelo
E que ainda tenho
A idade da juventude.

Quero deitar numa praia
Ouvindo os gemidos do maravilhoso
Como se quisesse devolver
Os mortos que ele levou.

Quero cantar com o poeta Virgílio
Ao som de sua rústica flauta
Os feitos horrendos de Marte
Destruindo a bela Tróia.

Quero ter
Direito de viver
Sem me encontrar
Com a solidão.

Quero mergulhar
No silêncio da noite
Envolvida na atmosfera
E sonhar que não existo.

Quero me guiar pela
Bússola das galáxias
E me perder
Na rota do infinito
Para além de tudo.

Quero atravessar
A fronteira do mundo
E bater à porta
Dos imortais.

Quero chegar ao céu
Numa explosão
De aplausos:
….......... Eu mereço!

Quero voar
Em direção ao olimpo
E, num assombroso desafio,
Encarar os deuses mitológicos.

Quero, segurando
Tresloucadamente,
As crinas do Pégaso
Atravessar o universo.

Quero morrer rindo
Dos que ficam...
Porque a vida
É pura ilusão.

Xamã Y.V.


Um comentário:

  1. Lindas palavras...pude até te ver recitando esses versos de frente pro mar sentindo o vento soprar...quando for pra lá, onde os devaneios moram...me chame...parabéns!

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